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 HOME INCLUSÃO & CIDADES DIGITAIS 18/01/2010

A Inclusão Digital em 2010

Francisco Moreira de Meneses

As nossas expectativas tendem a se confirmar em 2010 no que diz respeito à universalização da Banda Larga que deverá dar suporte para que a Inclusão Digital seja realidade em todos os recantos do nosso imenso país.

Para os que já são habitues no acesso à Internet pode soar como exagero dizer que a inclusão digital para muitos dos nossos irmãos brasileiros é tão ou mais importante do que a energia elétrica. Isso se considerarmos que estamos falando de algo que, supostamente, é o carro chefe do desenvolvimento.

No entanto, a Internet é algo surpreendente quando se conhece realidades como as que conheci nesse final de ano ao visitar comunidades isoladas do Estado do Pará, basicamente aquelas localizadas às margens do Rio Tapajós, na divisa com o Estado do Amazonas, onde não há energia elétrica convencional, já que por lá só os geradores são capazes de fornecer luz em períodos curtos da noite.

Ao visitar a comunidade de Suruacá, me impressionou ver aquelas pessoas vivendo onde não existe as mínimas condições de vida que estamos acostumados a desfrutar nas cidades, do tipo, energia elétrica; saneamento básico; água potável distribuída e outras coisas simples para nós urbanos.

Todavia encontrei um povo feliz, pois nessa comunidade há um Telecentro e uma Rádio Comunitária que funcionam e atendem a jovens e adultos.

Independentemente de qualquer outro atributo urbano, aquela comunidade tem acesso às informações e se comunicam com o mundo pela Internet, onde computadores funcionam com o auxilio de células fotovoltaicas, que alimentam um “banco de baterias” e assim faz funcionar, também, a Rádio Comunitária, que tem um nome bastante singular “Sistema Mocorongo de Comunicação”. Esse termo identifica as pessoas nascidas naquela região.

Essa comunidade não reclama por não ter outras coisas básicas dos urbanos o que eles querem é mais velocidade de Internet e acesso à telefonia celular de 3.ª Geração. Isso alias, foi possível com o apoio de duas empresas do setor de telecomunicações, com a inauguração de uma infra-estrutura de fornecimento de telefonia móvel 3G às margens do Rio Tapajós, no Município de Belterra, isso à distância de 3 horas de barco, gastos, apenas na travessia do imenso rio amazônico.

O que pude constatar, nessa oportunidade, foi à alegria estampada no semblante das pessoas ao terem à mão o primeiro Telefone Móvel dando-lhes a oportunidade de realizarem ligações para fixos e móveis, ainda acessarem a Internet, com o benefício da tecnologia 3G. Só presenciando esse momento é possível afirmar que a alegria daquelas pessoas era contagiante.

Tive oportunidade de conversar com lideranças da comunidade e pessoas simples do local, e eles me diziam com a maior simplicidade: “Doutor isso para nós é mais importante que ter energia o tempo todo em nossas casas; agora poderemos nos comunicar com Santarém, Belterra e até com Belém, e, não nos sentiremos mais isolados, pois antes nos comunicávamos apenas pela Internet, que também é muito importante, mas essa comunicação é mais importante, pois pode ser imediata e para atender algumas emergências”

Isso foi algo que me emocionou, pois aquelas pessoas no que pese suas dificuldades por saúde, educação e outros benefícios sociais disponíveis em comunidades urbanas, nada pediam apenas agradeciam pelos benefícios que estavam recebendo e olhavam para nós com carinho e amor por termos dado a eles aquela oportunidade.

É assim que começo o ano de 2010, cheio de esperança em um Brasil mais justo e igualitário, onde cada brasileiro, onde quer que more, possa ter o direito de se comunicar e de ser informado por meio do uso das Tecnologias da Informação e Comunicação, disponível, e, que não tenhamos que conviver com pessoas isoladas das realidades do Brasil e do Mundo.

O Plano Nacional de Banda Larga, em fase de conclusão pelo Governo Federal, finalmente, deverá oportunizar esse benefício aos nossos irmãos, antes esquecidos.

 

Afinal, não basta apenas ter um título de eleitor para fazer a alegria dos políticos em períodos de campanha eleitoral; é necessário que tenham cidadania, e, liberdade de escolha, também vem pelo conhecimento e pela informação.

 

E-mail do Colunista: Moreira.meneses3@gmail.com


Francisco Moreira de Meneses  (moreira.meneses3@gmail.com) é Diretor Geral da Escola Técnica Federal de Brasília, ex-Chefe de Gabinete da Secretaria de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, possui formação em Administração e pós-graduação em:
- Elaboração e Avaliação de Projetos Educacionais pela OEA e UnB,
- Análise e Projetos de Sistemas pelo Grupo de Fomento à Informática - GFI,
- Estudos de Políticas e Estratégias pela Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra em parceria com a UnB e
- Contabilidade Pública pela Fundação Getúlio Vargas.

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A Internet é algo surpreendente quando se conhece realidades como as que conheci nesse final de ano, ao visitar comunidades isoladas do Estado do Pará.
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