Caros leitores, a liderança é um tema discutido há muito tempo. Na verdade, quando temos alguém a nos inspirar e admirar, a despeito das cobranças, nós desempenhamos nossas atividades de forma muito mais eficaz. Isto acontece com você?
E como é que nossos líderes corporativos se percebem? Qual é a avaliação que eles fazem de si próprios?
A fim de entender estas e outras questões, a DBM - consultoria especializada em gestão do capital humano - realizou uma pesquisa com 460 executivos em posições de gerência, direção e presidência de organizações atuantes no País.
Foram ouvidos apenas profissionais que ocupam posições executivas e que, por consequência, avaliam sua interação com seus liderados.
Para a pesquisa, a DBM utilizou três diferentes questionários encaminhados para os profissionais de acordo com os momentos de suas carreiras.
Resultados
Um dos pontos de destaque é que os líderes são mais generosos consigo próprios que com seus chefes. Ao responder “como se enxergam como líderes” 19,5% informaram que sempre atuam como verdadeiros líderes; 76,5% disseram se comportar como líder na maior parte do seu tempo / frequentemente e apenas 4% responderam fazer isso algumas poucas vezes.
Do total de respondentes, 16% foram enfáticos e disseram que “sim, trabalham com um chefe cuja atuação é a esperada de um líder em todos os momentos”. Já 33% dos respondentes informaram que “frequentemente o chefe assume o comportamento de líder”. Para outros 32%, “a atuação dos chefes como líder ocorre de maneira parcial”; e para 15%, se “dá apenas algumas poucas vezes”. Para4% dos respondentes, há um gap de liderança, pelo fato de os líderes com os quais convivem não atuarem como tal em momento algum.
Ressalta-se que quando eles se avaliaram todos se viram como líderes, mas quando avaliaram seus chefes, bem, estes já não são todos líderes, não.
“Quando chamados a se auto-avaliar, os líderes parecem ser tendenciosos. Um ponto que evidencia isso é o fato de que nenhum profissional disse que nunca ou raramente se comporta como líder”, diz Cláudio Garcia. “É algo que chama atenção”, completa o presidente da DBM.
O lendário Sam Walton defendia que "grandes líderes mudam de estilo para levantar a auto-estima de suas equipes. Se as pessoas acreditam nelas mesmas, é impressionante o que elas conseguem realizar." Com esta energia efervescente, Sam Walton criou uma empresa bilionária e estimulou centenas de seguidores. Isto é liderança! O segredo? Humildade.
Outros pontos na pesquisa chamam a atenção. Quando a comparação se dá com os líderes atuantes na organização nas quais os executivos trabalham e não apenas com seus líderes imediatos, apenas 1% disse concordar totalmente com a afirmação que ”na organização em que trabalha, os profissionais em posição de chefia se comportam como líderes exemplares.”
Outros 32% avaliaram que isso ocorre frequentemente, mas não é regra. No que diz respeito a “visualizarem claramente outras pessoas em suas organizações com perfil de líder”, apenas 18% dos respondentes identificaram que isso é um fato.
Há, portanto, uma massa grande de executivos que sugere não ver, em suas empresas, outros líderes que não eles atuando como tal e que acreditam ainda que atuam mais como líderes do que outros profissionais em posição de chefia.
“Estas diferentes percepções influenciam a forma como as pessoas se relacionam com seus líderes e pares nos seus ambientes de trabalho e podem gerar ineficiência e baixa produtividade principalmente quando se trata de tarefas que demandam interações. É importante lembrar que as pessoas agem com base na percepção que têm dos outros e não naquela que o outro acredita ser verdadeira”, afirma Garcia. “Além disso, em geral, estas diferenças de percepções impedem o aprendizado entre as pessoas e que a liderança fique a cargo de quem realmente domina melhor uma determinada situação. Vale lembrar, claro, que, se um líder não entende como seus liderados, pares e chefes o percebem, sua efetividade na organização fica limitada e tende a ser prejudicada”, finaliza Garcia.
É imperioso que a liderança seja cedida a quem realmente é mais adequada e que todos possam concordar, reconhecer e dormir bem com esse fato. Enquanto isso não ocorre, muitos recursos, tempos e pessoas serão perdidos. Quem andar mais rápido pode se beneficiar.
Que tenhamos a sabedoria de aproveitar este início de novo ciclo em nossas vidas e repensemos como profissionais como podemos ser melhores, sinônimos de excelência.
Um super 2010 para você, leitor, que nos prestigia no Portal Alice Ramos.com
• Ana Claudia Bacellaré Diretora de Marketing da Mundo Startel, empresa de telecomunicações fixa em Angola, África. Membro do Comitê de Pesquisas da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA) no período de março de 2003 a fevereiro de 2006. Possui mestrado em Gerenciamento de Projetos pela George Washington University (USA) e especialização em Marketing, Propaganda e Relações Públicas pelo Cavendish College (Londres/GB), além do curso de Administração de Empresas pela Faculdade Católica de Brasília - PUC. E-mail da Colunista: anabacellar@gmail.com. Clique aqui para mandar uma mensagem para esta coluna
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