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Chega a ser cômico, se não fosse trágico, tentar traçar um paralelo entre os códigos que os homens da justiça constroem e os códigos de programação elaborados pelos homens da tecnologia. Ambos são incompreensíveis aos olhos dos leigos.

A história do confronto entre a razão e a emoção que marca a história do Brasil está longe de terminar, mas podemos estar diante do derradeiro round que contrapõe o bom senso e interesses nefastos. Este confronto, agora inadiável, determinará a sobrevivência da chama de esperança acerca da construção de uma nação de verdade ou o colapso definitivo de todos nós.

Para a turma da TI, aquela versada em tecnologia, soa mesmo bizarra, despropositada e irracional tanta discussão e resistência ora travadas entre a racionalidade e a total e completa falta de lógica e bom senso. É verdade, o brasileiro sempre pretendeu resolver as questões cruciais com base na emoção, o clamor e o discurso, desprezando a razão e a lógica.

O discurso da emoção remonta aos primórdios do Brasil-colônia e tem se sagrado vencedor em praticamente todas as ocasiões. E se olharmos para a história do Brasil veremos que raras vezes este país foi governado por homens de ciência e conhecimento técnico. Foi sempre comandado por homens de letras, ciências sociais e advogados, sempre avessos aos números.

Chega a ser cômico, se não fosse trágico, tentar traçar um paralelo entre os códigos que os homens da justiça constroem e os códigos de programação elaborados pelos homens da tecnologia. Ambos são incompreensíveis aos olhos dos leigos, mas revelam propósitos bem diversos.

Enquanto um código de programação, ainda que hermético, procure sempre simplificar a vida do usuário, os códigos dos homens da lei procuram torná-las inacessíveis aos usuários.

Este tem sido o rumo tomado pelo Brasil. A construção de um arcabouço de leis que tornam a justiça inacessível, impenetrável, incompreensível e cara, mas que satisfaz às bancas de advogados bem versados em códigos e chicanas embutidas. Tudo construído para promover e sacramentar privilégios irracionais.

Eis que agora foi justamente um homem das leis que tomou para si tarefa de reformar este estado de coisas. Talvez não pelos motivos mais nobres, mas simplesmente a fim de evitar o colapso inevitável, o qual levaria por água abaixo todo o arcabouço existente. Em outras palavras, é entregar os anéis para preservar os dedos.

A nós homens e mulheres da TI, que aqui do lado fora assistimos a esta discussão insana, aqueles que louvam a lógica e a razão, sabemos bem o que nos espera caso ultrapassemos a linha definitiva que demarca a fronteira entre a irracionalidade e a insanidade. O precipício é logo ali. E dentro dele cabe um país inteiro.

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Destaques

Às vésperas da mais importante decisão a ser tomada neste país em décadas, que é o estabelecimento de um teto para os gastos públicos, vêm à tona as mais variadas demonstrações de irracionalidade e desapreço pela razão. O Brasil, é verdade, sempre desprezou a matemática, os números, a lógica e a razão. Em um lugar onde cada um cuida de lutar pela manutenção de seus privilégios e espaço na mídia, não importa se existe lógica ou não, vamos todos naufragando, alguns alegremente, outros não. Enquanto perdurar este tipo de discussão o Brasil estará muito longe de ser uma Nação, restringindo-se a ser um balaio de gatos, onde todos brigam e ninguém tem razão.

Matando o Mensageiro

 2+2 = 3 ?

O Judiciário brasileiro vem demonstrando cada vez mais o seu anacronismo e distanciamento em relação à realidade. Para o judiciário brasileiro a matemática, a tecnologia e a ciência devem seguir os seus ditames e convicções e não o contrário. 

Este é um mal que assola o país, o desprezo pela matemática, dado que decisões desprovidas de lógica e racionalidade tendem cada vez mais a causar o prejuízo da coletividade em prol de pequenos grupos de pressão, idiossincrasias jurídicas ou questões locais.|Leia Mais...