A Falência do Estado Brasileiro

O Estado Digital versus A Falência do Estado Brasileiro

 

O caso do Brasil é peculiar, onde boa parte da população parece ainda crer no Estado Provedor, ainda que o tripé educação-segurança-saúde não se sustente mais, e que mesmo assim consegue preservar um grande contingente de apoiadores crédulos.

São aqueles que depositam fé na esperança de conseguir um cargo obtido por concurso público, por uma nomeação partidária, seja em prefeitura, governo estadual ou federal ou uma assessoria qualquer. Por muito tempo "empresários" mamaram nas tetas do governo através de alguma obra pública ou empréstimo subsidiado mal explicado e não justificável, sempre com custo inferior à inflação.

Não podemos esquecer daqueles que esperam uma casa do governo com juros subsidiados tornados possíveis através do desvio de dinheiro do FGTS sub-remunerado. Isto, para não falarmos da classe cultural aninhada nas subvenções seletivas. Enfim, é o Estado-boquinha.

Podemos afirmar, sem medo de errar, que o Estado-boquinha nasceu em 1808, com a vinda da família real portuguesa. Mas não vamos insistir no erro de colocar a culpa nos portugueses, porque a grande e maior parte da obra é nossa. Este modelo de Estado que aí está foi sendo construído através de sucessivos "puxadinhos", no Império, na Velha República, no Varguismo, por JK, militares, Constituição de 88 e os 14 anos de governo petista. Chegamos então a este monstrengo que aí está.

Ocorre que o Estado faliu ! Não há CPMF ou carga de novos impostos que possa mais sustentar este sistema. Neste Estado falido onde a educação é desestruturada e vilipendiada, o anacronismo impera em plena era digital. Devemos ser justos, no entanto, dado que o Estado brasileiro vem se tornando cada vez mais eficiente na arte de extorquir a sociedade produtiva. O MEC, que nada mais é do que um órgão fiscalizador de métricas, a julgar pelo desempenho obtido por nossos alunos no PISA, mereceria ele próprio a extinção pura e simples. Convenhamos, o fim do MEC não faria a menor falta.

Os brasileiros acostumaram-se à tutela de um Estado em todos os sentidos da vida. Seja na educação, na saúde, na doença e na pobreza. É um casamento falido que insistimos em manter. Talvez seja a hora de o aspirante a cidadão pensar no divórcio entre o que significa ser brasileiro, e o que pretende-se ser um cidadão, relegado a um pagador de impostos, uma extorsão da qual nem um pagamento de promessa pode libertá-lo. 

O Estado brasileiro, e sobretudo o Estado Digital, nada mais é do que o lobo cuidando das ovelhas. Ovelhas digitais, diga-se de passagem. E neste país de ovelhas digitais o que falta é proposto e mobilização digital pelas causas concretas. Restam apenas aquelas manifestações que reivindicam ainda mais dinheiro para um Estado que serve a si próprio e aos seus, isto é, a Corte do Estado. No país das ovelhas digitais ninguém ousa contestar nada. 

Um diagnóstico perverso revela que a educação básica e fundamental não prospera porque as crianças na tenra idade não sabem o que é uma educação de qualidade e, claro, também não votam. Quem não vota não opina, não é mesmo ? Já os pacientes que morrem nos hospitais nunca poderão ir às urnas reclamar, pelo menos não nesta vida. Esta visão cínica do Estado Brasileiro, infelizmente, é a que o ajuda a prosperar.

A crise que se estabeleceu nos últimos anos na verdade não é uma crise. Nada mais é do que um impasse diante do caminho a ser tomado. Estamos diante do desafio de destruir este Estado que aí está e que a cada dia fica evidente que serve apenas a si próprio, e a proposição de algo que assuma o seu lugar.

Seria ingênuo imaginar que seria possível diminuir o tamanho do monstro, mas se a sociedade se unir pelas vias digitais para pelo menos começar a contê-lo, é possível pensar na criação de uma sociedade alternativa que consiga subsistir com uma dependência muito menor em relação ao Estado.

Mal comparando, quando os fundadores da nação americana lançaram as bases dos princípios da Nação que pretendiam construir, louvaram, antes de tudo o mais, a lógica e a razão. Nós nunca passamos por este processo. Nunca houve no Brasil tal louvação. Pelo contrário, tentou-se construir um modelo baseado no clientelismo de A a Z.

De tempos em tempos somos lembrados que o clientelismo total, dado que afronta as leis da matemática e contabilidade, é inexequível no longo prazo. Um sem número de Impérios, Estados e Regimes, incluindo o regime militar brasileiro, sucumbiram quando a moeda se depreciou e perdeu o seu valor. Nenhum Estado até hoje conseguiu resistir à perda do valor da moeda. Mais uma vez nos defrontamos com a velha inconsistência de sempre.  

Neste momento, a esperança pode residir em uma nova sociedade digital, da informação plena, aquela que flui livre e não pode ser controlada pelo Estado. Resta saber o quão distante estamos desta realidade alternativa. 

À nossa frente reside uma nova possibilidade de quebra de paradigmas, começando pelo fim da exploração da sociedade pelo Estado, pela diminuição da tutela em troca do desenvolvimento de uma sociedade da informação alternativa que promova o desenvolvimento das pessoas. Os mecanismos digitais que aí estão permitem dar um passo além e quebrar esta estrutura falida e perversa que perdura há mais de dois séculos. 

Por: Sergio Sampaio Spinola

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Matando o Mensageiro

 2+2 = 3 ?

O Judiciário brasileiro vem demonstrando cada vez mais o seu anacronismo e distanciamento em relação à realidade. Para o judiciário brasileiro a matemática, a tecnologia e a ciência devem seguir os seus ditames e convicções e não o contrário. 

Este é um mal que assola o país, o desprezo pela matemática, dado que decisões desprovidas de lógica e racionalidade tendem cada vez mais a causar o prejuízo da coletividade em prol de pequenos grupos de pressão, idiossincrasias jurídicas ou questões locais.|Leia Mais...